Antibióticos: estamos usando em excesso?

Em 1928 o bacteriologista inglês Alexander Fleming descobria, por acidente, uma substância que iria revolucionar a história da medicina. Desenvolvendo pesquisas sobre um tipo de bactéria denominada estafilococos, o pesquisador conseguiu isolar a penicilina, após ter esquecido placas de cultura dos estafilococos fora da geladeira. As placas teriam sofrido contaminação por fungos, identificados posteriormente por Fleming como da família penicillium, que produziam uma substância capaz de matar os estafilococos. Embora relatos históricos citem o médico francês Ernest Duchesne como o primeiro a observar os mesmos efeitos, em 1896, foi a partir da descoberta de Fleming que as propriedades dos antibióticos passaram a ser mais estudadas.

O termo antibiótico foi proposto em 1942 pelo bioquímico americano Selman Waksman para descrever qualquer substância produzida por um micro-organismo capaz de destruir ou impedir o crescimento de outro micro-organismo. Em geral empregamos o termo antibiótico para qualquer substância que impeça o crescimento ou destrua bactérias. Com os avanços tecnológicos no campo da indústria química, os antibióticos são hoje em dia, em sua maioria, substâncias semi-sintéticas, produzidas a partir de compostos encontrados na natureza e modificados em laboratório. Estima-se que existam, atualmente, aproximadamente 8.000 tipos de antibióticos.

É indiscutível o papel de tais compostos na medicina. Passamos a superar infecções antes tidas como impossíveis de serem tratadas e reduzimos o período de muitas outras. Para muitos pesquisadores a descoberta dos antibióticos também criou um grande marco na história da humanidade, já que repercutem também diretamente na economia mundial. Seu emprego permitiu o tratamento de animais de corte, com uma conseqüente redução do número de doenças e mortes, melhorando a produção.

Porém, algo vem chamando a atenção. Em um estudo realizado pelo U.S Food and Drug Admministration Center for Drug Evaluation and Research, nos Estados Unidos, 73% de infecções causadas por vírus, e por este motivo resistentes aos antibióticos, são tratadas com os mesmos. Nesse caso, de acordo com a agência, os antibióticos estariam sendo prescritos além das necessidades reais. A conseqüência seria o desenvolvimento de resistência, tornando infecções futuras causadas por bactérias sensíveis a determinado antibiótico mais difíceis de serem tratadas.

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A nutricionista americana e autora de vários livros na área de nutrição e imunidade, Frances Sheridan Goulart, alerta para o fato de que os antibióticos, além de seus efeitos benéficos, também terem a capacidade de baixar a nossa imunidade, fazendo com que o organismo diminua a capacidade de auto-defesa. Além disso, no processo de destruição bacteriana também são reduzidos os níveis de importantes nutrientes como a Vitamina C, Ferro, Zinco, a grande maioria das Vitaminas do Complexo B, Vitamina K, Cálcio e Magnésio. Para completar, a autora ressalta que não são apenas as bactérias nocivas que são destruídas, mas também as bactérias “amigas” necessárias para nosso funcionamento, como as da flora intestinal.

O pesquisador americano Dr. Joseph Mercola é outro que alerta para a alta exposição aos antibióticos nos dias atuais. Muitos animais são criados com doses regulares dos compostos químicos, e dependendo destes compostos, podemos absorvê-los, mesmo após o cozimento de suas carnes. Para o médico este fator isolado poderia ser o responsável por alergias e reações químicas adversas.

Reservar o uso de tão importante arma no tratamento de doenças para os casos em que realmente requerem seu uso deveria ser rotina em nossas vidas, assim como a busca por alimentos saudáveis, isentos de antibióticos. Mais ainda, avaliar a real necessidade do uso destes componentes em situações onde possam existir alternativas.

Para ler mais: Somos realmente seres humanos?