Cânhamo e Maconha: As diferenças que você precisa conhecer

Nos últimos anos muito se debateu sobre a legalização da maconha, embora poucos conheçam, de fato, as propriedades nutricionais e medicinais do cânhamo, considerado por muitas civilizações como um super alimento.

Cânhamo, assim como a maconha, é uma variedade da planta Cannabis Sativa, mas que possui baixíssimo teor (normalmente menos de 0,3%) de delta-9-tetrahidrocannabinol, o famoso THC, responsável pelos efeitos psicoativos da maconha, que chega a ter até 30% de THC.

Canhamo e Maconha1

O uso de cânhamo data mais de 10.000 anos tendo sido a primeira colheita agrícola dos EUA e mantendo-se como a maior cultura industrial, e talvez a mais importante do planeta, até o final do século passado. Na parte oriental do mundo cânhamo nunca parou de crescer e hoje é cultivado principalmente pela China, Hungria, Inglaterra, Canadá, Austrália, França, Itália, Espanha, Holanda, Alemanha, Polônia, Romênia, Rússia, Ucrânia, Índia e toda a Ásia.

Até o final da década de 1930 tanto cânhamo, como a maconha, eram considerados plantações legais em solo norte-americano, mas foi após o filme “Reefer Madness”, de 1936, onde os efeitos nocivos do uso da maconha foram explorados levando medo à população, que tanto a maconha como o cânhamo tiveram seu uso proibido.

Segundo pesquisadores as sementes do cânhamo são ricas em proteínas de alta qualidade, fibras solúveis e insolúveis, vitaminas, minerais e ácidos graxos, consideradas gorduras boas. Na verdade as sementes de cânhamo possuem as gorduras conhecidas como Omega em proporções ideias para o consumo humano, tendo tanto os Ômegas 3, 6 e 9.

Aminoácidos, os formadores das proteínas, não somente estão presentes nas sementes de cânhamo,como também possuem a proporção adequada para nós, seres humanos.

Outra característica da semente de cânhamo é o seu altor teor de globulinas, proteínas necessárias para a formação de imunoglobulinas, proteínas estas que fazem parte de nosso sistema de defesa.

Canhamo e Maconha2

A Dra Christina Sanchez, especialista em biologia molecular, na Universidade Compultense, em Madri, atualmente à frente uma uma linha de pesquisas envolvendo a cannabis e o câncer, explica que cerca de 40% do extrato da planta é composto de cannabidiol, que não possui THC, não causando os efeitos psicoativos, mas agindo como potente antioxidante, especialmente para o cérebro.

Quando analisamos mais atentamente temas como o de hoje, temos a certeza de que muito ainda temos a aprender sobre esta planta, por muitos considerada como uma mera droga. Mas somente através da informação é que poderemos conhecer seus verdadeiros benefícios não podendo simplesmente ignorá-la, pois estaríamos renegando uma poderosa arma a favor da nossa saúde.

O Cânhamo ao longo da história

Canhamo e Maconha3

O cânhamo pode ser utilizado como matéria-prima para a produção de cordas, tecidos, produtos de higiene pessoal, papel, base para fabricação de plástico e até combustível.

Para muitos ambientalistas o seu cultivo poderia ser uma forma de preservar áreas de plantio de árvores, que geralmente levam anos para chegarem à altura necessária para ser utilizada pela industria, enquanto que em apenas noventa dias é possível extrair uma planta adulta de cânhamo.

A planta se adapta a praticamente todos os climas do planeta, de acordo com as variações da planta, que resultam em diferentes concentrações de ácidos graxos, as gorduras boas.

Suas sementes não precisam de pesticidas, pois seu gosto não é palatável para a grande maioria dos insetos.

Etimologistas da Universidade de Jerusalém concordam que o termo kineboisin, encontrado no Livro do Êxodo, refere-se um óleo extraído da cannabis.

Tzli’q, em hebraico, refere-se a um prato judeu preparado a base de sementes de cânhamo tostadas, muito popular nos tempos medievais, vendido nos mercados na Europa antiga.

Fazia parte da cultura dos Monges consumir pelo menos três refeições ao dia, contendo sementes de cânhamo, sendo citado nas doutrinas Budistas.

Cânhamo era uma das plantações mais comuns no Japão no período de 5.500 aC, sendo até hoje associado ao amor e casamento.

O imperador e médico Shen Nung, da China, 2.300 aC, deixou registrado as propriedades do cânhamo como forma de tratar muitas doenças, chegando a considerá-lo como um elixir da imortalidade.

Achados arqueológicos provam que o Cânhamo teve seu cultivo na era Neolítica, nas áreas de Yuan-shan, em Twaian.

No Papyrus Ebers, importante registro médico Egípcio contendo todo o conhecimento de ervas e tratamentos, por volta de 1.550 aC, constam registradas informações sobre o uso medicinal da maconha e do cânhamo.

Os Vikings usavam o cânhamo como alimento em suas viagens.

Registros Persas do século 6 falam de um preparado chamado de Sahdanag, que significa o grão real, consumido pela côrte, fabricado a partir das sementes de cânhamo.

A Bíblia de Gutenberg, como assim ficou conhecida em 1450, foi impressa em papel de cânhamo.

No século 16, durante o período Tudor, a Inglaterra dependia tanto do cultivo de cânhamo para a produção de cordas e materiais para as embarcações da marinha inglesa que o fazendeiro que se recusasse a plantar cânhamo era multado.

A guerra de 1812 envolvendo Grã Bretanha e America teve como um de seus motivos o domínio das reservas de cânhamo da Russia, que também foi o motivo da invasão de Napoleão ao mesmo país.

George Washington e Thomas Jefferson tinham suas próprias plantações de Cannabis.

A Rainha Victória usava preparados de Cannabis para cólicas menstruais, prescritos pelos seus médicos.

Produtos de marcas famosas como Adidas, Converse, Calvin Klein e Giorgio Armani já desenvolveram produtos a base de cânhamo.