Oxitocina e a bioquímica do Amor

Alegria, tristeza, medo, ansiedade, raiva, paixão, ódio, amor, insegurança, êxtase e angústia. Passamos a vida experimentando um misto de sensações e sentimentos que conferem sentido à nossa existência. E essas variações de humor correspondem a reações fisiológicas e bioquímicas do nosso organismo, embora, na maioria das vezes, difíceis de serem explicadas. Por mais infinitos que possam ser os sentimentos experimentados, é inegável que um deles é o que mais nos intriga, mais nos fascina, e nos move adiante: o amor!

Defini-lo é tarefa árdua, e pior ainda é entender porque cada um de nós reage de forma diferente a esse sentimento. Segundo pesquisadores, o amor existe, como sentimento, para ser capaz de unir pessoas, para que as mesmas tenham objetivos comuns, a exemplo da procriação, proteção e manutenção da espécie. Seria também o amor o responsável pela manutenção de uma relação estável. Na natureza apenas 3% de todos os mamíferos possuem essa capacidade, e o homem está entre eles.

De acordo com a pesquisadora Helen Fisher da Universidade de Rutgers em New Jersey, Estados Unidos, o amor poderia, bioquimicamente, ser definido em três estágios: desejo, atração e apego.
Na primeira fase, tanto homens e mulheres são guiados por hormônios como testosterona e estrógenos, onde o que predomina é a atração sexual e o desejo; esta fase tende a durar poucas semanas ou poucos meses.

Na fase de atração adrenalina, dopamina e serotonina estariam envolvidas no processo responsável pelo desejo específico de um determinado parceiro ou parceira. Surgem aqui os sentimentos de romance e comprometimento. Este estágio dura, geralmente, de um a três anos.

O último e mais importante estágio envolve dois importantes hormônios, até então pouco conhecidos nesse processo: oxitocina e vasopressina. A oxitocina é liberada por homens e mulheres durante o orgasmo e é a responsável pelo sentimento de apego e proximidade, sentimentos necessários para a manutenção de um relacionamento de longa duração.

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Para Helen, autora do livro “Por que amamos: a natureza e química do amor romântico” o amor pode surgir em qualquer um dos três estágios. Isso explicaria o porquê que algumas pessoas se apaixonam após o sexo, enquanto outras mesmo sem que o sexo tenha existido. Também podemos observar pessoas que desenvolvem o apego e comprometimento para, só após, criar o desejo sexual mútuo.

Liberada pela glândula pituitária, a oxitocina vem sendo muito estudada nos últimos anos. Não só por estar envolvida no processo do amor e comprometimento, mas pela sua capacidade reparadora, em especial do coração. Em recente estudo publicado na revista Basic Research in Cardiology, foi possível comprovar sua ação na redução do dano e da inflamação de células cardíacas.

Também está correlacionada com o controle de estresse, já que níveis ideais de oxitocina reduziriam os níveis elevados do hormônio cortisol, ligado ao estresse, diminuindo com isso os níveis de ansiedade. Para pesquisadores esse efeito explicaria porque casais têm melhor capacidade de superar problemas físicos do que pessoas solteiras, assim como grupos de trabalho desempenhariam melhores funções.

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Conhecida por ser o hormônio liberado pela mulher durante o trabalho de parto, a principal forma pela qual liberamos esse importante hormônio no dia-a-dia é através do contato de pele entre as pessoas. Estudos mostram que a relação direta do homem com seu animal de estimação também teria algum efeito liberador. Andar de mãos dadas, abraçar e ser abraçado, demonstrar carinho, receber massagens, várias são as formas de melhorarmos nossos níveis de oxitocina. Embora ainda pouco conhecida pelo meio científico, pesquisadores já discutem a reposição do hormônio para aqueles que tem sua deficiência. Com certeza ainda há muito para se descobrir a seu respeito, e, nesse sentido, considerando o interesse quase que unânime por esse assunto intrigante, não irá demorar para que tenhamos muito mais informações nos próximos anos. Enquanto isso que tal você aumentar os seus níveis naturalmente?