Terra Planeta Água

Ela corresponde a aproximadamente setenta por cento da superfície do globo terrestre e, coincidência ou não, está é a proporção média adequada em um ser humano adulto. Quando nascemos chegamos a ter cerca de oitenta e cinco por cento do nosso corpo formado por água, ao passo que quando envelhecemos podemos chegar a ter menos de sessenta por cento.

E embora ela seja o elemento de maior abundância em nosso corpo nem sempre damos a importância necessária para a nossa saúde. Os milhares de reações químicas, processos de desintoxicação, sínteses de tecidos, reações imunológicas e várias outros processos necessários à vida só podem ocorrer mediante a sua presença.

Nascido no Teerã, e com formação acadêmica na Escócia e Inglaterra, o médico Fereydoon Batmanghelidj, mais conhecido como Dr. Batman, ficou preso durante a revolução iraniana, de 1979 a 1982, período este em que, frente às dificuldades encontradas na prisão, passou a valorizar a água como um de seus únicos remédios para tratar os seus companheiros doentes. Após ser libertado o médico encontrou asilo nos Estados Unidos, onde iniciou um trabalho de pesquisa que iria durar mais de vinte anos, a respeito dos efeitos terapêuticos da água.

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De acordo com Dr Batman, e contrariando conceitos antigos, a água é uma grande fonte de energia para nosso corpo. Proteínas e enzimas só podem funcionar adequadamente diante de um nível ideal do líquido, assim como as membranas celulares necessitam de água para funcionarem adequadamente e todos os princípios ativos encontrados em nosso sangue só irão exercer suas ações diante de uma quantidade ideal do precioso líquido.

De acordo com o médico, muitas das doenças degenerativas, crônicas, transtornos de humor e várias outras, incluindo o envelhecimento, têm suas origens ligadas à falta de consumo adequado de água. Infelizmente só identificamos a falta de água quando já temos sinais clássicos de desidratação, como a boca seca, por exemplo, o que representa estágios bem avançados, que Dr Batman chama de desidratação celular.

Mas é importante entendermos que assim como a qualidade de nossa alimentação é importante para a saúde, a qualidade da água também. Filtrá-la para remover as impurezas ou consumir águas rotuladas como mineral parece ser o necessário para que estejamos consumindo uma água de boa qualidade, mas, infelizmente, a água envolve vários aspectos importantes a serem observados.

Doutor em hidrogeologia, o Professor Milton Antônio da Silva Matta, da Universidade Federal do Pará, vem pesquisando a água consumida em nossa região e buscando levar à população importantes dados que podem, sem dúvida, melhorar a qualidade de vida e saúde dos paraenses.

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O pesquisador conta que foi em 2005, orientando um trabalho de pesquisa, que observou que as águas minerais comercializadas em nossa região apresentavam Ph, potencial de hidrogênio, que não ultrapassavam o valor de quatro. Esta medida é utilizada para determinar a acidez ou alcalinidade de substâncias e até do nosso próprio organismo. Nossas células funcionam adequadamente em um meio alcalino, que gira em torno de 7,39. Estudos científicos já alertam para os efeitos negativos de um meio ácido, já que é nele que fungos, bactérias e até mesmo células cancerígenas podem proliferar.

A solução para a qualidade de nossa água não é difícil, demandando apenas o conhecimento da população e dos órgãos competentes à regulamentação. Através de processos, que segundo o Professor não possuem custo elevado, a água comercializada pode sofrer um processo de alcalinização antes de ser embalada. Ou seja, podemos facilmente elevar o Ph da água, corrigindo assim sua acidez. A questão é que ao realizar tal processo a água deixaria de receber o rótulo de “mineral”, por já ter sofrido alteração, mesmo que para melhor.

A conexão respiração e Ph

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Nunca o ditado popular “tempo vale ouro” traduziu tanta verdade. A queixa maior do homem moderno é a falta deste tempo e nosso maior desejo é tê-lo para que se possam cumprir as tarefas cotidianas. A era da tecnologia e informatização parecia nos ter trazido facilidades, mas acabaram por nos tornar escravos de nossos próprios recursos e apetrechos tecnológicos. Com isto fomos esquecendo conceitos básicos referentes ao funcionamento de nosso corpo, como no caso da respiração.

O ato de respirar proporciona maior oxigenação de todas as células do corpo, aumenta a eliminação de substâncias tóxicas, recobra a consciência corporal e estabelece um tempo e um ritmo ao corpo. Não é à toa que em muitos métodos de condicionamento físico e terapêutico, bem como nas técnicas de relaxamento, a respiração cumpre papel fundamental, ressalta o fisioterapeuta Diogo Bonifácio.

Muito se questiona sobre a importância do consumo de águas alcalinas como forma de manter nosso Ph em níveis adequados. De fato o nosso corpo possui sim mecanismos de controle do Ph, que estão ligados às trocas do oxigênio e do gás carbônico, controlados pela nossa respiração.

É que tais trocas ocorrem principalmente no terço inferior dos pulmões, onde o oxigênio encontra maior contato com os capilares. Na contramão retiramos o gás carbônico de nosso organismo, reduzindo assim a acidez. Sendo assim poderíamos dizer que é através da respiração que conseguimos controlar o equilíbrio de acido básico.

Infelizmente, como dito acima por Bonifácio, não respiramos de forma adequada, e com isto acumulamos gás carbônico em nosso organismo, causando a acidez. Adicionam-se a este fato as características de uma água e baixo Ph e podemos ter uma série de efeitos indesejáveis.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde para considerarmos uma água apta ao consumo, em relação ao Ph, ela deveria apresentar valores de 6,5 a 9, o que coloca as nossas águas bem distantes deste patamar.

Regiões como Okinawa, no Japão, apresentam águas com Ph naturalmente em torno de nove, o que leva muitos pesquisadores a acreditarem que possa ser este um dos fatores que justificaria a longevidade dos moradores da região, a que possui a maior taxa de centenários do planeta.
Sem sombra de dúvidas o consumo regular de água com Ph inferior vai estar correlacionado a uma série de alterações em nosso organismo. Gastrite, úlceras e câncer gástrico poderiam ter associação com esta água não alcalina. Atualmente Professor Milton busca, em conjunto com o setor de Biologia da Universidade do Pará, comprovar estes efeitos à nível de nossa saúde, mas adianta que acredita não restar dúvidas de que exista uma correlação de tais doenças com a água consumida, já que nosso estado fica em primeiro lugar nacional nas estatísticas de cânceres relacionados ao aparelho digestivo.

Enquanto isso vale a pena valorizar técnicas que envolvem a respiração como forma não só de aumentar nossa oxigenação como também eliminar o excesso de acidez. Yoga, Pilates, Tai Chi Chuan, Qigong e a própria meditação são excelentes exemplos.
que a saúde vale muito mais.