Contando hormônios não calorias

No domingo passado vimos que o mito de contar calorias não representa o real impacto dos alimentos em nosso corpo, embora possa contrariar estatísticas reais. O hábito de contar números, pontos, energia gasta em exercícios, programas de restrições e o tempo despendido na espera de resultados só nos levam a uma direção: a falha desta conta.

A resposta simples e objetiva está em parar de contar a quantidade e valorizar a qualidade dos alimentos que escolhemos. E é a partir da liberação de hormônios, que funcionam como mensageiros químicos, que poderemos utilizar de forma adequada a energia contida nos alimentos e absorver os nutrientes a fim de sintetizar células, tecidos e órgãos.

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Infelizmente não damos a devida importância a essa conexão crucial entre o alimento e nossos hormônios. Tomemos como exemplo a insulina, hormônio produzido pelo pâncreas: ao ingerirmos açúcar, em qualquer uma de suas formas, a insulina mandará uma mensagem às nossas células sobre o que as mesmas deverão fazer. Se não utilizarmos este açúcar de imediato nossas células irão convertê-lo em gordura.
O resultado final deste processo irá ser o acúmulo de gordura corporal, induzido pelo alimento, nesse caso, o açúcar, sob influência de um hormônio, a insulina.

Outro importante fator é a correlação entre o estresse e a forma como processamos os alimentos. É notável que para muitos comer está diretamente ligado a fatores estressantes, seja na ansiedade, na depressão ou euforia, por exemplo. E aqui, mais uma vez, não podemos dizer que estresse é feito de calorias, mas ele ativa hormônios que vão levar ao maior ou menor consumo de alimentos.

Há décadas já se tem reconhecido o papel do hormônio cortisol no mecanismo de estresse e de ganho de peso. E, como descrito por Hans Selve, em 1956, nosso corpo ativará uma série de mecanismos, envolvendo hormônios, que resultarão na busca de mais energia para o corpo. Aliado à escolha dos alimentos de baixa qualidade, e não simplesmente à quantidade, esta combinação desequilíbrio hormonal e alimentos inadequados é que resultarão no ganho de peso.

Nosso corpo possui um sistema de alerta que hoje a maioria dos carros possui, informando a distância de um obstáculo na hora de estacionar. Tal mecanismo envolvendo cérebro e aparelho digestivo também controla a entrada de alimentos em nosso corpo, produzindo uma sensação de saciedade, nos informando a hora de parar.

Infelizmente nosso sensor não reconhece alimentos processados, industrializados e químicos, independente do número de calorias. Com isto permanecemos com a constante sensação de fome.
Sabemos que nosso corpo é uma máquina complexa, onde uma infinidade de reações químicas acontecem a cada segundo, o que torna praticamente impossível simplificar em números ou contas aritméticas a forma como cada um de nós processa a energia.

Mas, é seguindo o caminho do alimento contido na natureza, como já proposto por Hipócrates, há mais de dois mil anos, que podemos começar a refazer esta conta.

Temos de mais de 100 trilhões de células em nosso corpo, 500 bilhões de reações químicas acontecendo em nosso corpo a cada segundo.

Atividade Física: o caminho para emagrecer?

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Até o trabalho do Dr Jean Mayer envolvendo ratos de laboratórios, em 1953, e a publicação do livro “Aerobics”, do médico americano Dr. Knenneth H. Cooper, a ideia de exercício aeróbio nem existia.

Mas assim como estamos aprendendo que contar calorias não representa acumular ou perder gordura corporal, o mesmo se aplica às atividades físicas. Infelizmente muitos ainda imaginam que aqueles números que aparecem nos monitores de esteiras, bicicletas ou escadas representam a conta mágica das gorduras que estão sendo “queimadas”.

Chefe do Laboratório de Genética Molecular da Universidade Rockfeller, Estados Unidos, o médico e pesquisador Dr. Jeffrey M. Friedman, atesta que acreditar que apenas a prática de um exercício aeróbio levará à queima é um erro, já que é a alimentação, em sua qualidade, quem determinará tais resultados.

Ou seja, o que determinaria a melhora física, dentro de um aspecto de ganho ou perda, está primeiramente relacionado à sua alimentação. Usar a atividade física, principalmente a aeróbia, como arma, ou conta, para corrigir os erros alimentares é a mesma coisa do que achar que comer menos, consumir produtos diets e lights emagrece.

Arnold Schwarzenegger, sete vezes Mr Olímpia, sempre foi o defensor de uma boa alimentação como base para qualquer programa de melhora física. De acordo com o campeão, que sempre valorizou o alimento, tanto que usava o ovo como uma de suas principais fontes de proteína, assim como as gorduras boas, como as amêndoas e castanhas como fonte de gorduras, de nada adiantará carregar pesou ou correr em esteiras se a qualidade de sua alimentação não foi seguida.