Crianças devem tomar leite?

Para o autor americano Raymond Francis não há dúvidas de que o leite materno é o perfeito alimento para as crianças, mas infelizmente não podemos dizer o mesmo sobre o leite de outras espécies. Com o passar dos anos e o crescimento das cidades, a evolução da vida moderna e o processo de industrialização dos alimentos, o leite de vaca passou a ser considerado um dos alimentos mais recomendados, para adultos e crianças.

Nos Estados Unidos, em 1925, um filme produzido pelo United States Children’s Bureau incentivou, em campanha nacional, a introdução do leite de vaca como alimento para crianças. No filme mudo, característica da época, as dificuldades de uma mãe moderna são exploradas com orientações de como amamentar seu filho, mas até que o mesmo complete dez meses de idade, quando o leite de vaca passa a ser recomendado.

Com o passar do tempo, e as crescentes facilidades oferecidas pela indústria com fórmulas infantis produzidas a partir do leite animal, um número cada vez maior de mães passou a usar tais artifícios acreditando estarem oferecendo um alimento de grande qualidade. De acordo com o médico Americano Dr. Frank Oski, ex-diretor do Departamento de Pediatria da Universidade John Hopkins, em seu livro “Don’t Drink Your Milk” (Não beba o seu leite), publicado em 1992, o leite de vaca foi feito para os bezerros, e não para humanos, possuindo proteínas e gorduras que são difíceis de serem digeridas pelo organismo humano. Para o pediatra americano Dr. Russel Bunai, em artigo publicado em 1994 na Revista Natural Health, se o mesmo pudesse dar apenas uma orientação para melhorar a saúde da população seria “eliminar o consumo de leite”.

Para os autores, o leite é considerado a principal fonte de alergias em crianças, embora muitas não sejam diagnosticadas. Como consequência destas alergias silenciosas surgem infecções de repetição. Como resultado temos crianças cada vez mais fazendo uso de antialérgicos e antibióticos. Estudos recentes também tem correlacionado o consumo do leite de vaca com doenças autoimunes graves como a esclerose múltipla, síndrome do cólon irritável e diabetes. Conhecido como Baby Doctor, Dr. Benjamin Spock, pediatra americano com o maior número de livros vendidos sobre saúde infantil, sugere que mães amamentem seus filhos pelo menos por um ano, de preferência por dois, ou até três, se possível. Após retirar o peito não introduzir nem um outro tipo de leite. A primeira edição de Baby and Child Care, publicado em 1946, perdeu em vendas apenas para a Bíblia.

Em sua última edição, em 1992, Dr. Spock não somente reforça a orientação a respeito do leite de vaca, como sugere que as mães começem a pensar em uma alimentação vegetariana para seus filhos após o segundo ano de vida, como forma de evitar doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e câncer.

leite

Leite de vaca e Cálcio:a melhor fonte?

Em um litro de leite de vaca existem aproximadamente 1.200mg de cálcio, enquanto na mesma medida de leite humano apenas 300mg. Talvez o fato de possuir quatro vezes mais Cálcio do que o leite humano foi o suficiente para se acreditar que o leite de vaca fosse um excelente substituto ao leite materno. Infelizmente, o leite de vaca possui grande quantidade de fósforo, que se une ao cálcio, formando o fosfato de cálcio.

Esta ligação faz com que nosso organismo tenha dificuldade em quebrá-la, reduzindo a absorção dos nutrientes. Além disto, o leite de vaca também é pobre em magnésio que, como já visto em nossos encontros anteriores, é de essencial importância para a absorção do cálcio. Segundo a Organização Mundial de Saúde estatísticas já mostram que os países com maior consumo de leite também apresentam as maiores incidências de osteoporose, câncer de mama e diabetes. Também podemos dizer que o leite de vaca age como um antinutriente, já que ele reduz a absorção de nutrientes de nosso corpo, da mesma forma que as farinhas brancas e o açúcar.

O processo de pasteurização altera mais ainda as propriedades do alimento, tanto que em estudos observando a evolução de bezerros alimentados com leite pasteurizado observou-se falha no desenvolvimento ósseo, osteoporose e até cáries. Mas, o mais assustador é que uma boa parte dos bezerros alimentados com o leite pasteurizado não sobreviveu mais de oito semanas. Fomos criados em um dos países que seguiu, a partir de um dado momento, o modelo onde o consumo de leite de vaca como fonte de nutrientes é tido como importante e essencial para a saúde. Mas, vale lembrar que nossos antepassados, os índios, nunca tiveram este alimento como parte de sua dieta, da mesma forma como 70% das culturas ao redor do planeta Terra. O aumento do consumo do leite esteve sempre aliado a um crescimento de sua produção industrial, atrelado a campanhas publicitárias que nos convenceram de que o mesmo era importante para nosso desenvolvimento. Está na hora de rever dados e informações que, como vemos hoje, não são novos, mas nunca fizeram parte de campanhas que nos orientassem.