Enzimas: o controle da vida

Na última semana terminamos nosso tema sobre suplementação falando que não basta apenas comer os alimentos adequados, eles precisam ser processados e devidamente absorvidos, para só assim obtermos os seus benefícios.

Muito pouco ainda se fala, e talvez conheçamos, a respeito das substâncias responsáveis por este processamento: as enzimas. Podemos dizer que sem nutrientes não existiria vida, da mesma forma como sem enzimas não funcionaríamos e nem nos reproduziríamos.
Elas afetam diretamente nossa existência, já que formam oitenta mil sistemas em nosso organismo, sendo responsáveis pela digestão, crescimento da pele e cabelos, fala, coordenação motora, força, movimentos, sistema imunológico, enfim, todas as reações que existem no corpo humano necessitam de enzimas.

E foi dedicando quarenta anos de sua vida ao estudo destas importantes substâncias que o pesquisador americano Dr Edward Howell resumiu em sua obra “Food Enzymes for Health and Longevity” conceitos essenciais para nossa melhor saúde.

Assim como as mulheres nascem com um certo número de óvulos, que irão amadurecer e permitir a fecundação ao longo de suas vidas, Dr Howell explica que nascemos com uma espécie de banco de enzimas, que serão usadas ao longo de nossas vidas, para as mais variadas funções.

Quanto mais rápido gastarmos estas enzimas mais cedo envelheceremos e teremos o aparecimento de doenças crônicas ligadas ao mal funcionamento de nosso organismo, como doenças autoimunes, artrite, câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, entre várias outras.

Entendendo que, diariamente, ingerimos alimentos que demandam um processamento, estaremos, repetidas vezes, recrutando uma determinada quantidade destas enzimas para realizar tal processo. Em seus anos de pesquisa Dr Howell observou que é a alimentação moderna o principal fator responsável pelo consumo de nossas reservas enzimáticas.

É que dependendo da qualidade dos alimentos ingeridos nosso corpo necessitará de quantidades diferentes de enzimas para processá-los. Alimentos como frutas, sementes, verduras e legumes, crus, contem suas próprias enzimas que permitem um menor consumo das nossas enzimas para o processamento.

Alimentos industrializados, processados e cozidos são desprovidos de enzimas, recrutando então uma enorme quantidade de enzimas de nosso corpo.

É interessante constatar que tais conceitos em relação à qualidade dos alimentos, propostos por Dr Howell, do ponto de vista do funcionamento de nossas enzimas, recaem em outros já conhecidos, reforçando ainda mais a necessidade da valorização de uma alimentação adequada.

É curioso descobrirmos que tais conceitos surgiram em 1930 com o trabalho do Dr Paul Kautchakoff, que demonstrou a reação de nosso sistema imunológico diante de alimentos cozidos, ou seja, desprovidos de enzimas.

Dr Howell publicou seus primeiros trabalhos em 1946, o que nos mostra que, embora pareca novidade, estamos falando de conceitos bem antigos.

Verdadeiras máquinas de energia!

Enzimas são substâncias que permitem a existência e perpetuação da vida. Sem elas de nada adianta termos hormônios, vitaminas, proteínas ou minerais. Muitos acreditam que enzimas sejam apenas catalizadores, permitindo que as reações químicas em nosso corpo aconteçam, mas elas vão além, possuindo espécies de pacotes de energia. É como se fossem pilhas que no seu interior são formadas por placas metálicas carregadas de energia. É esta energia vital das enzimas que ainda intriga, e é pouco conhecida por muitos.

Dr Paul Kautchakoff e leucocitose!

Ao analisar a resposta de nosso organismo a alimentos o pesquisador observou que todas as vezes que comemos alimentos cozidos desenvolvemos reações imunológicas chamadas de “leucocitose”, como se fosse uma espécie de reação inflamatória ao alimento. E classificou os alimentos em quatro grupos:

1. Alimentos crus, incluindo carnes, como o sashimi, não apresentam reação inflamatória

2. Alimentos cozidos desencadeiam a leucocitose

3. Alimentos cozidos sobre pressão desenvolvem leucocitose maior do que os cozidos normalmente

4. Alimentos processados, vinho, vinagre, embutidos, açúcar e industrializados ricos em químicos e conservantes desenvolvem reações imunológicas mais graves, algumas semelhantes às observadas em quadros de envenenamento.

É que os leucócitos teriam a capacidade de liberar enzimas que ajudariam no processo de digestão dos alimentos. O problema é que deixamos de tê-las para os processos de cura e reparo de nosso corpo.

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Onde encontramos as enzimas nos alimentos?

Existem alimentos com maior quantidade de enzimas, como a banana, abacate e a manga. Em geral frutas são ricas em enzimas. Verduras e legumes também possuem enzimas, mas toda vez que aquecemos qualquer um destes alimentos a temperaturas acima de 100º C iremos destruir 100% das enzimas.

Inibidores, os ladrões das enzimas!

Não é difícil entender que basta valorizar uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes crus, ou mesmo as carnes como os sashimis, o carpaccio, o cevich e tartar para estarmos consumindo alimentos que contenham enzimas, mas devemos entender e ficar de olho nos inibidores das enzimas. São substâncias que existem principalmente nas sementes e funcionariam como uma espécie de protetores, permitindo a liberação dos nutrientes e das enzimas contidas na semente apenas após a sua germinação. A ideia de deixar feijões, grãos, sementes, castanhas e até batatas de molho serve para desativar estes inibidores e, o mais importante, liberar estas enzimas. No livro “Lugar de médico é na cozinha” o médico Alberto Peribanez Gonzalez aborda de forma clara e prática o processo da germinação, fornecendo os tempos certos para cada alimento.

Enzimas e câncer!

De acordo com o Dr Howell todas as doenças crônicas podem ser evitadas quando nosso sistema enzimático está em ótimas condições, incluindo aqui todos os tipos de câncer. E é seguindo esta mesma linha de raciocínio que o médico americano Dr Nicholas Gonzalez vem tratando pacientes com câncer com sucesso, utilizando terapias que envolvem alimentação e enzimas. Com sua clínica em Nova Iorque o médico está se tornando referência mundial dentro de uma nova visão da medicina que consegue provar a cura de doenças graves através de conceitos antigos, porém pouco conhecidos, como nosso tema de hoje. O site do médico fornece informações sobre o tratamento e os princípios do uso das enzimas no tratamento de câncer: www.dr-gonzalez.com