Fazemos reposição hormonal ou não fazemos?

Foi com este questionamento que o ginecologista e consultor do programa Bem Estar, Dr José Bento, deu início ao evento Bem Estar Global em Belém, uma parceira da emissora Globo de Telecomunicações e o SESI Pará, ocorridona sexta-feira, dia 24 de abril.

Após conversar com diversas mulheres o ginecologista subiu ao palco, instalado na Praça Batista Campos, esclarecendo o que estaria sendo uma das maiores dúvidas: o uso da reposição hormonal para o tratamento dos sinais e sintomas referentes à menopausa.

A resposta do médico foi clara e objetiva: “fazemos sim a reposição hormonal, fazemos com hormônios bioidênticos, aqueles hormônios nós já fabricávamos antes”.

Desde a década de setenta, quando a reposição hormonal feminina surgiu, principalmente como forma de prevenir a osteoporose, trabalhos e publicações na mídia geram polêmica. Mas foi a partir do estudo feito pelo Women’s Health Initiative, nos Estados Unidos, na década de noventa, que a polêmica se agravou.

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O estudo, que envolveu mais de 160.000 mulheres em menopausa, acabou sendo suspenso por mostrar o aumento no índice de ataques cardíacos e câncer de mama. O pânico estava formado, e milhares de mulheres passaram a ter que conviver os sintomas característicos da menopausa.

Pouco se debateu, porém, sobre quais os métodos de reposição utilizados no estudo, que incluíam compostos sintéticos, derivados da urina de animais.Ao falar sobre o uso de hormônios bioidenticos Dr José Bento refere-se ao uso de formulações, sejam elas manipuladas ou produzidas em laboratórios, que apresentam estrutura molecular idêntica aos hormônios produzidos pelo nosso corpo.

Compostos sintéticos de hormônios femininos foram desenvolvidos inicialmente com o objetivo de funcionar como contraceptivos orais, sendo capazes de inibir a ovulação. Com o passar do tempo, e com a ideia de repor as deficiências produzidas pela menopausa, passaram ser utilizados como tratamento. O resultado foi o aparecimento efeitos colaterais,como inchaço, acne, ganho de peso, depressão e câncer, entre vários outros.

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Infelizmente em meio ao medo gerado, poucos pararam para rever a história da criação dos hormônios bioidenticos que teve seu início na década de trinta, quando o professor Russeell Marke, da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos, criara a cópia da progesterona, hoje sendo chamada de progesterona natural ou bioidêntica.

Mais de oitenta anos depois, muita polêmica e medo, o depoimento do médico soa como um alívio para as milhares de mulheres que convivem com os efeitos das deficiências hormonais características do envelhecimento.

De fato estudos tem demostrado que o uso de compostos bioidenticos não estão correlacionados ao aumento dos casos de câncer, e recentes trabalhos vem demonstrando, inclusive, a diminuição dos casos com o seu uso. Proteção contra doenças cardiovasculares, melhora dos níveis de colesterol e mesmo a prevenção de trombose nos vasos podem ser associados ao seu uso.

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Em estudo realizado pela Clinica Mayo nos Estados Unidos, usando hormônios bioidenticos os resultados mostraram uma melhora da qualidade do sono em 30%, redução da ansiedade em 50%, melhora quadros depressivos em 60% dos casos, 40% de melhora em relação a memória e 30% de melhora na função sexual.

A segurança da reposição hormonal com hormônios bioidênticos

Ao longo da história pesquisas envolvendo o uso de hormônios bioidênticos nos fazem perceber que nestes quase cem anos muito foi estudado, mas, infelizmente, com a publicação do estudo americano da década de noventa, o tema “reposição” transformou-se assunto pouco discutido e noticiado.

É o que refere a pesquisadora americana T. S. Wiley, que às vésperas de publicar seu livro “Sex, lies and menopause (Sexo, mentiras e menopausa)”foi atropelada pela suspensão do estudo do Women’s Health Initiative e sua publicação na mídia.

O livro, ainda sem versão em português, acabou por ser publicado somente em 2003 e é considerado uma das melhores compilações a respeito da importância da reposição hormonal feminina e seu uso com os homônimos bioidênticos.

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Mas vale lembrar, como dito pelo Dr José Bento, que o acompanhamento e a correta orientação precisam ser observados, pois na verdade estaremos sim usando substâncias consideradas a cópia de nossos hormônios, mas isto não quer dizer que ajustes, principalmente de doses e métodos de uso, não se façam necessários.

Ainda pouco falado, quando o assunto é reposição, a importância do estilo de vida, que inclui alimentação e atividade física, entre outros, são fatores considerados de base para os bons resultados e a redução dos efeitos indesejáveis.

Estudos, e a experiência de profissionais que trabalham com reposição hormonal, tem mostrado que são estes pacientes, que adotam estilos de vida considerados saudáveis, que mais se beneficiam com a terapia.

Ao longo destes anos, o tema reposição hormonal, feminina ou masculina, sempre foi abordado em nossas matérias, como forma de trazer ao leitor informações já existentes, embora pouco divulgadas. E é com grande prazer que acompanhamos o que parece ser o fim da era “medo” em relação uma terapia que pode beneficiar milhares de mulheres.