Margarina

Foi em 1912, quando o pesquisador russo Nikolai Anitschkov induziu a formação de placas de gorduras em coelhos alimentando-os com gema de ovo e óleo de girassol, que começava o longo debate evolvendo a qualidade das gorduras em nossa dieta.

Mais tarde, em 1954, o também russo David Kritchevsky comprovava a formação de placas nos animais alimentando com colesterol e gorduras. Estava formado o conceito de que as gorduras de origem animal eram o vilão número um da saúde do coração e das artérias.

Mas, como se não bastasse isto, veio a era do “contar calorias” e as gorduras, de uma forma geral, por conterem mais calorias, foram praticamente banidas do nosso cotidiano, colocando a margarina como a opção saudável à manteiga.

O nome “margarina” refere-se às gorduras de origem vegetal usadas em substituição da manteiga, e foi usado por Michel Eugène Chevreul, em 1813, quando pesava ter descoberto o “ácido margárico”.

Foi Napoleão III, imperador da França, em 1860, quem “encomendou” um substituto mais barato para a manteiga, alimento considerado nobre, de forma a ser servido para as classes sociais baixas e para o exército. Mais tarde, em 1869, o químico Hippolyte Mège-Mouriés criava a oleomargarina, que ficou conhecida mais tarde como a margarina que conhecemos. Era uma mistura de sebo de vaca, leite desnatado, partes menos nobres do porco e da vaca e bicarbonato de sódio.

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Com o tempo, e o crescente medo das gorduras animais, a margarina, que passou a ter várias versões disponíveis no mercado, passou a ser considerada sinônimo de saúde. Infelizmente esta transformação das gorduras vegetais em um estado sólido não veio acompanhada da melhora de nossa saúde.

Originadas pelo processo de hidrogenização, que transforma gorduras vegetais em seu estado líquido para sólido, as gorduras trans não somente reduzem os riscos de doenças cardiovasculares, como aumentam. Câncer, alterações ósseas, desequilíbrio hormonal, doenças da pele, infertilidade, problemas da gravidez e na amamentação, retardo no crescimento de crianças e alterações do aprendizado são algumas das inúmeras consequências desse tipo sintético de gorduras em nosso organismo.

O consumo de margina leva ao aumento dos níveis de radicais livres em nosso corpo, e é consequência das

altas temperaturas envolvidas no processo de fabricação do produto.

Emulsificantes e conservantes, especialmente o BHT (hidroxitolueno butilado), que já foi proibido em alimentos em países como Japão, Romênia, Suécia e Austrália, é alergênico, tóxico para o sistema imune e pode ter correlação com câncer. No Brasil ainda é bastante utilizado.

Ainda sobre o processo de produção da margarina, solventes e o hexano são utilizados. Estudos mostram que a exposição prolongada ao hexano pode causar dor de cabeça, náuseas, alterações visuais e auditivas, excitação e alteração do comportamento.

Manteiga e doenças cardíacas

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A guerra contra o colesterol, presente somente em alimentos de origem animal, foi uma das razões pela queda no consumo da manteiga, já que além de conter mais calorias era rica no vilão das doenças cardíacas.

Mas não só os selos “sem colesterol” nos rótulos dos produtos chamavam a atenção do consumidor, como variações da margarina apontavam o seu efeito protetor em relação às doenças do coração.

Infelizmente a conta da saúde, mais uma vez, foi feita de maneira equivocada. Analisamos apenas as calorias e cortamos o colesterol. Com isto banimos um dos alimentos considerado como remédio para culturas como a indiana, que tem o “ghee” (a manteiga clarificada, onde a lactose é removida) como um alimento não só para o corpo, mas também para a mente e o espírito.

Analisando as estatísticas envolvendo doenças cardíacas e gorduras saturadas pesquisadores da Universidade de Cambridge, em Londres, revisaram setenta e seis estudos, totalizando 650.000 participantes. Os achados contrariam o atual conceito de que a gordura contida em alimentos derivados da manteiga seja maléfica para o coração.

De acordo com o pesquisador Rajiv Chowdhury, coordenador do estudo, embora alimentos ricos em colesterol, como a manteiga, possam aumentar os níveis de colesterol sanguíneos, os verdadeiros vilões seriam as gorduras trans, o açúcar, os carboidratos refinados e o sal.

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