Meditação

Meditar é o fundamento básico do exercício da mente, envolvendo uma série de práticas que tem como objetivo aprimorar o foco, a estabilidade e a auto-consciência.

Poderíamos dizer que a meditação está para a mente assim como o exercício físico está para o corpo. É interessante observar que, da mesma forma, não basta querer ou saber que temos que praticar atividade física, e sim praticá-la corretamente, meditar também requer uma prática constante, e não apenas a intenção ou o conhecimento de sua necessidade.

Em tempos modernos onde nosso cérebro recebe uma quantidade cada vez maior de estímulos, tornando-se progressivamente acelerado, a arte de meditar se faz mais do que nunca necessária, para que possamos frear este aceleramento. Entendendo ainda que todo nosso corpo é controlado por órgãos que dependem do funcionamento de nosso sistema nervoso central, estar mentalmente em equilíbrio é permitir que todo o corpo esteja equilibrado.

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Segundo a bióloga e pesquisadora Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein em São Paulo, manter o foco e a atenção em uma determinada tarefa pode ser um exercício obtido através da meditação, que torna o cérebro mais eficiente, recrutando uma quantidade menor de neurônios. Estudos envolvendo técnicas de ressonância magnética funcional constataram que para os praticantes regulares da meditação existe uma menor atividade cerebral na execução de tarefas, quando comparados aos não praticantes.

A pesquisadora ressalta que os pacientes envolvidos nas avaliações não eram monges ou pessoas evoluídas na prática do meditar, e sim pessoas consideradas normais, com exercícios regulares de trinta minutos, três vezes por semana, mas com três anos de prática constante. Elisa acredita que a meditação possa ser uma grande arma no tratamento da ansiedade, dependências químicas ou demais problemas ligados ao controle do cérebro.

De acordo com o biologista e biofísico russo Pjort Garjajev usamos apenas dez por cento de nosso código genético, deixando os noventa por cento restantes totalmente inativos. Para Garjajev as informações contidas em nosso DNA não servem apenas para a construção de nosso corpo, mas também estabelecem uma forma de comunicação com o meio ambiente.

Meditar é uma das formas de acordar as porções dormentes de nosso DNA, possibilitando alterações na estrutura genética de nossas células. Segundo as descobertas de Garjejev, que envolvem DNA e energia, poderíamos dizer que a meditação possa vir a ser o grande salto para a união dos conceitos espirituais e científicos, colocando mais uma vez em pauta a antiga noção de que todas as alterações sofridas pelo nosso corpo físico sofrem influencia de nosso plano espiritual, conceito este a base da Medicina Budista Tibetana

Em seu recente livro “Mind Over Medicine” (Mente Acima da Medicina, ainda sem tradução para o português) a autora Dra Lissa Rankin afirma que meditação, o desenvolvimentos de sentimentos como compaixão, gratidão e o amor ativam mecanismos de autocura em nosso organismo.

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Vivemos em um tempo onde a ciência e a medicina ocidental evoluíram com técnicas de diagnósticos que nos permitem avaliar o que até pouco tempo nos parecia invisível, mas estamos falhando em diagnosticar, ou tratar, desequilíbrios do nosso corpo.

Meditar é o reencontro com nosso potencial inato de cura, que só poderá se fazer presente se nosso comando central, nosso cérebro, comandar o ritmo harmônico de todas as células de nosso corpo.

“A sabedoria aparece através do esforço, a sabedoria desaparece através da falta de esforço; conhecer esses dois caminhos de crescimento e declínio, um o ajudará aumentando a sabedoria” Buddha

Aprendendo a Meditar

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Embora meditar seja uma técnica de fácil execução muitos deixam de praticá-la por acreditar ser o oposto. De acordo com o monge Segyu Choepel Rinpochea grande dificuldade está na rotina, ou seja, no praticar diariamente. E é essa prática que permite que melhoremos nossa mente e, desta forma, possamos evoluir. A seguir veremos alguns passos básicos para que você possa começar a meditar.

1. Preparação: como toda prática a meditação também requer um preparo, onde você irá decidir quando e onde irá meditar.

2. A melhor hora: não existe um momento certo do dia para que você medite, e nem que você reserve horas para este exercício inicial. Começar com cinco minutos pode ser o ideal, e assim que a prática vá evoluindo, você pode ir aumentando o tempo. Na verdade é melhor que você medite poucos minutos por dia, todos os dias, do que meditar por horas apenas uma vez por semana. Escolher um horário tranquilo é outro ponto importante, o que não significa que você não possa meditar a qualquer hora do dia, mas a regularidade de horário seria um ponto favorável à prática.

3. O lugar: talvez seja nessa hora que podemos perceber o quanto estamos cercados por sons e movimentos em nosso dia. Escolher um local tranquilo e sem ruídos é o objetivo quando iremos meditar. No seu dia-a-dia será interessante que escolha um local fixo para que possa exercitar-se.

4. A posição: encontrado o local ideal você pode tanto sentar em uma cadeira confortável ou usar o próprio chão. No começo a escolha de uma cadeira pode ser o ideal, passando-se para posturas usando o chão em fases mais avançadas. Não é recomendado que deite-se já que facilmente poderemos adormecer, prejudicando a técnica. Adote uma postura ereta, corrigindo principalmente a posição dos seus ombros, mantenha os olhos fechados e a palma das mãos sobre as pernas, voltadas para cima.

5. Começando: imagine o som de um martelo sobre uma madeira, está é uma das melhores comparações que podemos fazer quanto ao ritmo da meditação. Nosso objetivo principal é esvaziar a mente de pensamentos, focando em apenas um objeto ou na respiração. Nos primeiros dias você terá uma grande dificuldade de permitir que pensamentos não lhe venham a mente, é como se o martelo estivesse sendo usado em uma rápida frequência, sendo o seu som sobre a madeira a entrada dos pensamentos em sua mente. Conforme os dias passam, e a prática da meditação se mantem, você conseguirá aumentar cada vez mais o tempo em que sua mente fica sem pensamentos. É como se a velocidade do martelo fosse diminuindo, ficando cada vez mais lento. O mais importante é não achar que não irá conseguir, principalmente nos primeiros dias. Não desista, pratique.

6. Não compare: meditar é uma arte pessoal. Para os budistas existem mais de mil formas de meditar e, com certeza, cada um descobrirá a sua melhor. Lembre-se que trata-se de um exercício seu e de sua mente, portanto não queira meditar exatamente igual aos outros. Descubra seu próprio caminho.

7. Seja paciente: afinal de contas nossa cultura ocidental não nos preparou para exercícios como a meditação. Se olharmos ao redor veremos que hoje em dia a prática de uma atividade física regular já se faz presente na vida de muitos, que passaram não só a reconhecer seus benefícios como a gostar de praticá-la. Assim devemos ver a meditação, como um exercício que deve ser diário, e que com o tempo nos trará enormes benefícios.

8. Simplifique: já que meditar é uma das mais simples artes existentes, não complique. Não busque transformá-la em algo complexo ou de difícil execução. Procure relaxar e torná-la o mais simples possível. Trabalhe a respiração e a concentração.

9. Para ler: “Meditando com Brian Weiss” é um livro simples e prático que pode lhe ajudar a inciar a jornada da meditação. Embora existam vários outros livros, sugerimos começar por este, que inclui um cd como guia de suas meditações. Conforme você for evoluindo poderá buscar outras fontes de orientação.

10. Pratique: este é o ponto mais importante da meditação, a prática diária. Não deixe para amanhã, comece hoje e passe a mudar não somente sua mente, mas todo o seu corpo.

Leia mais:

Livro – Meditando com Brian Weiss

Livro – Medicina e meditação