Mercúrio: Uma intoxicação silenciosa

Mercúrio é considerado o mais tóxico dos metais pesados. Há registros históricos de seu uso já em 1.500 AC em países como China e Índia. Os gregos utilizavam mercúrio para fabricação de pomadas, Egícipcios e Romanos em cosméticos.

Seu uso em termômetros perdurou até o século 19, mas em nossa região foi o uso em garimpos que contribuiu para a grande contaminação de nossos rios, uma das fontes de contaminação mais importantes.

Além da água, terra e alimentos, também pode ser encontrado em vários produtos do dia-a-dia, como cosméticos, produtos dentais (amálgamas), tinturas utilizadas na confecção de tecidos, tintas, látex, plásticos, solventes, preservativos, e alguns medicamentos.

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Na natureza pode ser encontrado em três formas: elemento mercúrio: extremamente tóxico, encontrado nas amálgamas, vulcões e derivados de petróleo; mercúrio orgânico: encontrado nos peixes, medicamentos e produtos comerciais; e, mercúrio inorgânico: afeta rins, medula óssea, aparelho intestinal, respiratório e cérebro.

Uma das características do mercúrio é a sua capacidade de se acumular no organismo ao longo dos anos e como nosso organismo não apresenta barreira que impeça a sua chegada ao cérebro ele se deposita com facilidade nesse tecido. Sua presença no espaço intra-celular altera o fluxo normal de substâncias, impedindo a entrada de nutrientes essenciais para as células como também a saída de material desnecessário que deveria ser eliminado.

Também se liga à células do sistema imunológico promovendo alterações das respostas imunes. Para a pesquisadora americana Stephanie F. Cave, especialista em intoxicações pelo metal, alerta para a dificuldade de diagnóstico. Segunda ela o período entre a exposição ao mercúrio e o aparecimento dos sintomas pode ser muito longo, além do fato de que os sintomas apresentados podem ser os mais variados possíveis.

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Quantidades significativas de mercúrio no organismo podem provocar artrites, depressão, dermatites, fadiga crônica, perda de cabelo, insônia, perda de memória, fraqueza muscular e confusão mental. Alguns dos primeiros sintomas de intoxicação pelo metal estão correlacionados com as alterações de comportamento, apresentando quadros depressivos ou de hiperatividade.

Mercúrio também tem a capacidade de alterar diversos sistemas hormonais podendo levar à hipotireoidismo, tireoidites auto-imunes, baixos níveis de testosterona, diminuição da produção de neurotransmissores como dopamina e serotonina , assim como alterações da hipófise, glândula situada na base do cérebro que controla o funcionamento de vários outros órgãos em nosso corpo.

Mercúrio e Autismo

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Estudos recentes também vem correlacionando a intoxicação do mercúrio ao autismo. Crianças contaminadas podem apresentar distúrbios psiquiátricos, alterações da fala e audição, dificuldades de aprendizado, alterações visuais, alterações de comportamento, disfunções imunológicas, quadros de epilepsia, alterações gastrointestinais, entre outros. A contaminação intra-uterina causada durante a gravidez poderia justificar quadros diagnosticados como autismo, tratando-se na verdade de intoxicação por mercúrio.

Amálgamas

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde a amálgama utilizada nas obturações dentárias ainda pode ser considerada uma fonte primária de exposição ao mercúrio. Constituída por 50% de mercúrio, 25% de prata e 25%de outros materiais, a amálgama libera, em até 5 anos, praticamente todo o mercúrio, que após ingerido é acumulado no organismo.

O vapor produzido no processo de retirada das obturações de amálgama também é importante contaminante, tanto para o paciente como para o dentista, que inala as partículas de mercúrio.

Óleo de peixe

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Devemos chamar a atenção em relação aos suplementos disponíveis no mercado contendo os já conhecidos Omega-3, já que em sua grande maioria são obtidos a partir de concentrados de óleos de peixes. Estes concentrados podem estar associados à diferentes graus de contaminação por mercúrio, alerta o pesquisador Barry Sears.

O consumo de cápsulas de Omega-3 que não passem por processo de filtração molecular estariam associados a efeitos negativos, no lugar dos efeitos benéficos do importante ácido graxo. Estudos tem demonstrado alterações em recém-nascidos de mães que fizeram uso de suplementos de Omega-3 contaminados por mercúrio.

Como diagnosticar?

Dosagens do metal no sangue, cabelo ou em urina após estímulo de agente quelantes são os mais utilizados. Ainda realizado por poucos laboratórios a dosagem de mercúrio intra-eritrocitário (dentro das hemácias) representaria excelente ferramenta para avaliar o nível de intoxicação dos pacientes.

Assim como o chumbo, o mercúrio interfere com a absorção de nutrientes, principalmente aminoácidos. Por isso a determinação dos níveis de aminoácidos assim como sua correção seriam de extrema importância, destacando a Taurina, Arginina e L-cisteína, que ingeridos antes das refeições teriam a capacidade de deslocar o mercúrio de dentro da célula. Minerais como o zinco, cobre, selênio e crômio também exercem papel importante por competir com o mercúrio na absorção celular.