Neuroplasticidade: Descobrindo o verdadeiro potencial de seu cérebro.

Por mais de quatro séculos foi comum pensar que nosso cérebro se desenvolve somente durante a infância e que os neurônios com que nascemos serão os únicos que sempre teremos, permanecendo inflexíveis ao longo da vida adulta.

Conhecida como neuroplasticidade o termo refere-se à capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se a nível estrutural e funcional ao longo de nossas vidas.

Estudos mais recentes reforçam a ideia de que a formação de novos neurônios na vida adulta pode sim ser modulada, mostrando a real possibilidade de superações de limitações como as encontradas em lesões, doenças consideradas incuráveis, ou até o próprio conhecimento de como aumentar o potencial de nossas funções cognitivas, mesmo em idades avançadas.

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Conhecido como um dos maiores pesquisadores da atualidade na área de plasticidade cerebral o neurocientista Michael Merzenich, da Universidade da Califórnia, afirma que é totalmente possível mudar a estrutura do cérebro e aumentar a nossa capacidade da aprender.

Segundo Merzenich a neurociência acreditou por anos, de forma erronia, que nosso cérebro é constituído por mapas que representam áreas especificas do nosso corpo. Mas estudos comprovaram que tais mapas são dinâmicos, ou seja, estão em constante transformação, permitindo novas adaptações.

Mas talvez tenham sido as pesquisas do neurocientista Paul Bach-y-Rita, falecido em 2006, que comprovaram, através do estudo da neuroplasticidade, que podemos ser considerados ciborgues natos.

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Em 1969 Paul publicou na revista Nature um dispositivo que permitia que cegos de nascença enxergassem, afirmando que na verdade vemos com nosso cérebro e não com nossos olhos. Para o pesquisador o segredo está em como as informações chegam até ele, ou seja, podemos treiná-lo a receber informações de outras áreas de nosso corpo.

Atualmente os estudos que envolem a neuroplasticidade comprovam que nosso cérebro pode se reorganizar, utilizando uma nova área para o processamento de informações. É o que vemos, por exemplo, em pacientes com sequelas de lesões ou quadros de acidentes vasculares cerebrais, onde estímulos e exercícios possam ativar uma nova área do nosso cérebro.

Estima-se que as características neuroplásticas do nosso cérebro influenciam nossas células nervosas ao longo da vida e nosso cérebro se comporta de modo plástico toda vez que somos motivados a aprender. E a medida que vamos aumentando nosso mapa cerebral nossos neurônios tornam-se mais eficientes.

Portanto o velho ditado “não se pode ensinar truques novos a um cachorro velho” não pode mais ser aplicado, bastando para tal entendermos como usarmos o verdadeiro potencial deste ainda pouco conhecido órgão.

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Como exercitar o potencial plástico seu cérebro.

• Identifique o hábito que você quer transformar e coloque-o como meta. Ter a intenção da mudança é o primeiro passo para consegui-lá. A partir da análise crítica da nossa consciência é que podemos ter o mais importante, a ação da mudança.

• Observe os velhos hábitos da sua vida, afinal de contas você permitiu esta programação. Tente analisar sentimentos, pensamentos e como seu corpo responde a esses hábitos. Ao longo da nossa vida processamos informações que são armazenadas em áreas do nosso cérebro, assumindo áreas no nosso mapa cerebral, por esse motivo mudar demanda a reprogramação destes hábitos. Desaprender costuma ser muito mais difícil do que aprender.

• Mude o foco. Muitas vezes passamos boa parte da vida nos perguntando o “por que” de repetidas situações. Tente focar em outros caminhos. Ao assumirmos a desvantagem dos caminhos já construídos em nosso cérebro, mudar o foco implicará em construir novas rotas para a implementação de novos hábitos.

• Use a sua imaginação. Nosso cérebro transforma informações obtidas a partir do mundo que chamamos de real em realidades individuais. Portanto ativar a sua imaginação e criatividade é uma forma de mudar a sua realidade. Mudando nossa percepção de como vemos o mundo real podemos construir uma nova realidade.

• Evite os pensamentos negativos. Eles são os seus piores inimigos. E já que sabemos que tentar apagar essas vias que nos levam à tais pensamentos só irá aumentar o seu controle, exercite vias voltadas aos pensamentos positivos.

• Crie planos de execução para os seus objetivos. Assim como devemos planejar uma mudança física e entender o que precisamos para consegui-la, precisamos entender o que estamos querendo de mudança em nosso cérebro. Lembre que é somente através da ação diária que conseguiremos alcançar nossos objetivos.

• Transforme os obstáculos. Entender a real natureza do que chamamos dificuldades é o primeiro passo para ver a vida de outra forma. De acordo com a visão Budista, situações de doenças podem ser consideradas como ferramentas de evolução, basta entende-las como experiências positivas e necessárias à nossa evolução.

• Transforme-se. Estamos vivendo em tempo onde a física quântica nos prova um vasto mundo de possibilidades, mas no final estas sempre estiveram dentro de cada um de nós. Estamos constantemente limitando essas possibilidades aos nossos conhecimentos, pense que o tempo é a única medida que o separa do futuro. E é o conhecimento a sua grande arma para a transformação que você tanto busca da vida.