Pílula anticoncepcional é segura?

Conhecida como “contraceptivo oral” a pílula anticoncepcional, ou simplesmente anticoncepcional, foi aprovada nos Estados Unidos em 1960, sendo considerada atualmente a forma mais popular de controle de natalidade.

Estima-se que em todo o mundo mais de 100 milhões de mulheres façam seu uso, variando de acordo com a região do mundo, idade, educação e estado matrimonial. Na Inglaterra um quarto das mulheres entre 16 e 49 anos atualmente usam a pílula em comparação a somente 1% das mulheres no Japão.

De acordo com o professor em ginecologia Dr José Mendes Aldrighi, autor do livro “Doença Cardiovascular no Climatério”, com a pílula as mulheres se tornaram donas do próprio corpo, puderam exercer a sexualidade sem o ônus da gravidez indesejada. Isto lhes abriu as portas do mercado de trabalho e lhes possibilitou investir em novos tipos de relacionamento.

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As primeiras pílulas lançadas no mercado continham altas doses de estrógenos e provocavam efeitos colaterais indesejáveis como o aumento de peso, dor nas mamas e distúrbios vasculares graves, como a trombose.

Com o tempo os laboratórios passaram a reduzir a quantidade de estrogênio nas pílulas (as atuais contêm 20 microgramas de estrógeno; as produzidas em 1960 continham 150 microgramas) e a incidência de trombose caiu 25%. Segundo Dr Aldrighias pílulas modernas chegam até a trazer benefícios para o útero, as produzidas na década de 1960 exerciam um impacto negativo sobre esse órgão, que se refletia na ocorrência maior de câncer.

A redução dos níveis de estrógeno também possibilitou controlar dois efeitos adversos das pílulas de alta dosagem hormonal: o aumento de peso e a dor nas mamas. Hoje, sabemos que elas promoviam inchaço e não propriamente acúmulo maior de tecido adiposo. Teoricamente a baixa dosagem de hormônios que entra na composição das pílulas modernas faz a mulher inchar menos e, consequentemente, ganhar menos peso. Dizemos teoricamente porque tais reações diferem entre as pacientes.

Mas será que mesmo com estes baixíssimos níveis de hormônio, e a redução de alguns efeitos colaterais, as pílulas anticoncepcionais não oferecem outros riscos à saúde da mulher? A verdade é que há tanto desencontro de informação, e pouco conhecimento sobre a contracepção hormonal, que muitas mulheres acabam cheias de dúvidas a respeito de sua segurança.

Antes de tomar a decisão de usá-las as mulheres deveriam ser bem informadas sobre as vantagens, desvantagens e contraindicações, assim como entender o que realmente está acontecendo em seus corpos durante o seu ciclo menstrual.

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A maturação dos folículos ovarianos necessita de hormônios produzidos pela glândula hipófise, localizada junto ao cérebro, sendo estes o FSH e o LH. Normalmente, em cada ciclo, surgem vários folículos, cada um com um ovócito em crescimento que, ao aumentarem de tamanho, produzem estrógenos em quantidades cada vez maiores. Com este aumento na produção do estrógeno ocorre uma queda progressiva na liberação do LH e FSH.

Os vários folículos então competem entre si pelo estrógeno, sendo que o maior folículo é “ativado” suficientemente e os menores degeneram. Esse folículo maior então produz cada vez mais estrógeno, até que em altas concentrações leva a uma excreção em massa de LH e FSH que estimulam o rompimento do folículo e a ovulação.

O mecanismo de ação das pílulas contraceptivas consiste na administração de doses baixas, mas constantes, de estrógeno e progestágenos, inibindo a produção de FSH e LH na hipófise. A diminuição das concentrações de FSH e LH leva ao não desenvolvimento dos folículos que surgem, já que nenhum deles é suficientemente grande para ter receptores de FSH suficientes para não degenerar.

Ou seja, há como que uma simulação da produção de estrógeno por um folículo grande apesar de nenhum existir (porque o estrógeno vem do medicamento) e, portanto, todos os folículos degeneram de acordo com o mecanismo normal de “seleção natural” de apenas um deles, o maior, para ovular. Devido à pílula ele não existe, portanto não há ovulação de nenhum.

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Falar sobre uma abordagem holística para o controle da natalidade não é o mesmo que discutir uma abordagem natural. Uma abordagem natural refere-se a métodos que não envolvem medicamentos alopáticos. A perspectiva holística é quando uma mulher e seu parceiro escolhem o método mais adequado especificamente para eles.

A fim de tomarem uma decisão adequada o casal, e principalmente a mulher, deveria levar em conta fatores como a idade, problemas de saúde, hábitos (como beber ou fumar), tipo ou estágio de seu relacionamento, preocupações sobre doenças sexualmente transmissíveis (já que o uso da pílula pode impedir a concepção, mas não evita exposição a doenças) e que outros métodos estariam disponíveis.

Quanto aos métodos hormonais, como a pílula, os hormônios injetáveis mensais, adesivos e anel vaginal o resultado final será a interferência com a ovulação. É por isso que esses métodos estão entre as mais eficazes na prevenção da gravidez indesejada.

Mas poucos, pacientes e médicos, levam em conta que tais métodos hormonais alteram o fluxo normal de produção hormônios levando a alterações no corpo das mulheres, tornando a percepção de seus sinais internos quase impossível. Outra desvantagem é que eles têm contraindicações e riscos para a saúde que você deve estar ciente antes de tomá-los, que vão desde efeitos gastrointestinais leves, como náuseas, até mais sérios como problemas hepáticos, embolia pulmonar, paradas cardíacas, trombose cerebral e AVC.

Para o neurologista americano Dr Eric Braverman, autor do livro “YoungerYou”, as pílulas anticoncepcionais funcionam como um código desnecessário de envelhecimento, sendo a forma mais rápida de acelerar tal processo.

Como explicado acima o corpo da mulher perde a real percepção do que realmente está acontecendo durante o ciclo, que passa a ser controlado pelo hormônio sintético. Como consequência uma mulher jovem pode experimentar sais e sintomas como se estive em menopausa, podendo ter queda da libido, cansaço, diminuição da velocidade de raciocínio e ganho de peso, entre outros.

Infelizmente a praticidade, e liberdade, que veio acompanhada com a entrada pílula na vida das mulheres precisariam ser estudadas com mais atenção, cabendo a cada uma buscar o máximo de informações, avaliando os efeitos e riscos não somente de uma gravidez indesejada, como também entender o impacto na saúde de cada uma.

Para ler mais:

Quando a pílula anticoncepcional é a pior escolha

The Holistic Approach to Birth Control