Progesterona versus Progestágenos

Em 1930 o professor da Universidade da Pensilvaniana nos Estados Unidos, Russeell Marker criava, em laboratório, a partir do Inhame Mexicano (planta semelhante ao nosso Cará), a cópia da progesterona existente nos humanos.

O composto passaria a ser chamado de Progesterona Natural. Surgia, a partir dai, uma corrida pelo desenvolvimento de substâncias compatíveis com a molécula, mas que ao mesmo tempo fossem patenteadas, já que por lei universal não se pode patentear substância existente na natureza. Surgiam os progestágenos, moléculas semelhantes à progesterona natural, porém com pequenas alterações em sua estrutura química.

Muita polêmica girou em torno da terapia de reposição hormonal feminina, que teve seu início por volta da década de 70, com a proposta de aliviar os sintomas da menopausa e prevenir a osteoporose, mas foi com a liberação na mídia de resultados precoces de um grande estudo realizado pelo Women’s Health Initiative, nos Estados Unidos, que a polêmica se agravou.

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O estudo mostrava um aumento no índice de ataques cardíacos e câncer de mama. Pouco se debateu, porém, sobre quais os métodos de reposição utilizados no estudo, que incluíam compostos sintéticos, derivados de animais.

De acordo com a médica americana Dr. Pamela Smith, progestágenos foram desenvolvidos inicialmente com o objetivo de funcionar como contraceptivos orais, apresentando meia-vida (tempo de circulação no organismo) superior à progesterona, assim como maior potência, sendo capazes de inibir a ovulação.

Para a médica deve-se salientar que os progestágenos, por não apresentarem estrutura química semelhante à progesterona natural, apresentam diferentes reações no organismo, tendo, inclusive a capacidade de ativar receptores de estrógenos (grupo de hormônios relacionados a efeitos proliferativos no organismo). Por este motivo que trabalhos científicos correlacionam o uso de progestágenos com retenção líquida (inchaço), acne, ganho de peso, depressão e câncer, entre outros.

Devido o seu amplo uso na prática médica, ao longo dos anos, os progestágenos ainda são, até hoje empregados como progesterona, haja vista que a grande maioria dos trabalhos realizados até o momento os utiliza como substituto do composto natural. Progesterona Natural, Bio-idêntica ou Bio-compatível, refere-se, portanto aos compostos produzidos em laboratório cuja estrutura molecular se assemelha ao produzido no organismo humano.

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Estudos mostram que estes componentes não estão correlacionados ao aumento dos casos de câncer, e recentes trabalhos vem demonstrando, inclusive, a diminuição dos casos com o seu uso. Proteção contra doenças cardiovasculares, melhora do perfil de colesterol e mesmo a prevenção de trombose nos vasos podem ser associados ao seu uso.

Em recente trabalho publicado na revista BrainResearch, pesquisadores demonstraram que a progesterona, que também é produzida, em pequenas quantidades, pelos neurônios e células gliais, apresenta papel protetor contra o processo degenerativo do cérebro. Portanto seu uso em terapia de reposição hormonal para o tratamento da menopausa traria benefícios adicionais ao sistema nervoso central.

Em outro recente estudo realizado pela Clinica Mayo nos Estados Unidos, 176 mulheres em reposição hormonal com progestágenos tiveram seu tratamento substituído por progesterona bio-idêntica. Os resultados mostraram uma melhora em distúrbios do sono em 30%, redução do nível de ansiedade em 50%, melhora de estado depressivo em 60% dos casos, 40% de melhora em relação a memória e 30% de melhora na função sexual. No geral 80% das mulheres referiram resultados superiores ao uso da terapia com a progesterona bio-idêntica.

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