Somos vítimas da genética?

Em 1953 quando os pesquisadores James D. Watson e Francis Crick anunciavam a descoberta do DNA, a comunidade científica e jornalística mundial acreditava ter sido descoberto o “segredo da vida”, forma como o New York Times e a inglesa BBC, entre vários outros, estampavam em suas manchetes o que parecia ser o nosso controlador.

A partir de então fomos levados a acreditar que nossos genes, que trazem nossas heranças familiares e são responsáveis pela coordenação e funcionamento de todos os seres vivos, determinam nossa saúde, doenças e até comportamento. Estudos e mapeamentos foram feitos buscando correlacionar cada gene a uma determinada enfermidade e, para tal, a tentativa de uma cura medicamentosa ou, quem sabe, através da manipulação destes genes.

E o que era puramente recentemente passou a estar ao nosso alcance já que testes genéticos passam a ser comercializados com a proposta de sabermos quais nossos pontos fracos, predisposições ou tendências, permitindo antecipar o início de doenças, como o caso da atriz americana Angelina Jolie, que ao identificar um gene favorável a câncer de mama, como sua mãe, optou pela cirurgia removedora do órgão.

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Mas será que nossas vidas, e nossa saúde, está realmente pré-programada? Não teríamos a possibilidade de alterar a forma como esses genes agem?

Para o biólogo Bruce Lipton a resposta é simples, clara e contrária a toda esta crença: genes não controlam absolutamente nada. Genes não possuem nem controle sobre eles próprios, não podem ligar-se ou desligar-se.

De acordo com Lipton somos nós quem controlamos nossos genes, que na verdade correspondem a informações que trazemos de nossos antepassados, como se fossem uma espécia de planta arquitetônica a respeito de nosso funcionamento.

É através de nossa mente, nossa percepção da vida e do mundo em que vivemos que selecionamos e ativamos os genes necessários para nossa sobrevivência. E ainda temos a capacidade de recriar e modificar qualquer um destes genes, criando até cerca de tinta mil variações para cada gene em nosso corpo.

Durante anos Lipton retirou o núcleo de células buscando observar o seu comportamento, imaginando que as mesmas morreriam em seguida. Porém o que constatou é que elas mantinham-se vivas e funcionando normalmente, mostrando então que o DNA, presente no núcleo, não seria essencial para a vida.

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Portanto nossa saúde não pode ser considerada um reflexo de nossos genes e sim de como estamos vivendo, nosso estilo de vida, nossos pensamentos e emoções. Na visão do pesquisador não ter saúde pode ser interpretado como não estar em harmonia com nossa biologia.

A grande diferença entre acreditar que genes controlam nossas vidas e a nova visão proposta por Lipton é que na primeira nos comportamos como vítimas do destino, não tendo a capacidade de reagirmos, restando recorrer a artifícios como medicamentos ou cirurgias, enquanto que na segunda passamos a ser os únicos responsáveis pela nossa saúde: somos nós quem realmente decidimos como vamos viver!