Vivendo na era radioativa

Três semanas após a catástrofe de Fukushima em 2011, e todos os esforços para a contenção de vazamento de material radioativo, três reatores da usina ainda estavam sob risco de explosão, obrigando as autoridades japonesas a usar água do Oceano Pacífico para resfriá-los.

Estima-se que aproximadamente dez milhões de litros de água contaminada com material radioativo tenham vazado para as águas do mar, transformando o acidente de Fukushima em um estado de alerta mundial, de acordo com Dr Christopher Busby, membro do Comitê Europeu de Risco Radioativo.

Hiroshi Kawauchi, membro da Câmara de Representantes do Japão na época do desastre, alega que níveis de césio radioativo liberados no ar pelos reatores em Fukusihma superaram os da bomba de Hiroshima em cento e sessenta e oito vezes.

A verdade é que quando a primeira bomba atômica foi detonada nos Estados Unidos, em 16 de julho 1945, pouco se conhecia a respeito do potencial radioativo em relação a nossa saúde e seu impacto no meio ambiente. Dava-se início à era radioativa no planeta Terra.

Radiação refere-se à emissão e transmissão de energia. Radioatividade é um tipo de energia, seja de causa natural ou criada pelo homem, produzida pela instabilidade de um átomo.

Partículas radioativas podem entrar em organismos vivos através do ar, água e alimentos, destruindo células, órgãos e genes. Em 1972 o cientista Dr Abram Petkau, analisando o efeito de diferentes doses de radioatividade sobre as células humanas, chegou à conclusão de que ao longo dos anos pequenas doses produzem efeito cumulativo, acarretando sérios danos à nossa saúde.

Uma das grandes consequências à exposição radioativa como a que tivemos em Chernobyl, em 1996,e no Japão, há três anos,está no fato de que águas, solos e animais passam a funcionar como reservatórios. Com isto áreas distantes também são afetadas, o que também nos torna expostos.

Como nos proteger

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De acordo com o autor Dr Charles Simone, populações com deficiências nutricionais possuem maiores riscos de desenvolver doenças ligadas ao sistema imunológico, assim como sofrerem ataques externos. Para o Dr Roger Williams, quando mais bem “nutridos” estivermos mais protegidos contra a ação de drogas, toxinas e agentes agressores.

Quando mantemos nosso estado nutricional adequado nosso corpo tende não absorver partículas radioativas. Dr Williams ressalta que uma boa saúde seria, em tempos modernos, um constante estado de desintoxicação.

Pesquisas mostram que minerais como o cálcio e o iodo funcionam bloqueando os efeitos do acúmulo da partículas radioativas em nosso corpo, e manter nossos reservatórios nutricionais é mandatório para competir com a absorção material radioativo.

Segundo a Dra Alice Stewart, que observou o comportamento de sobreviventes de Hiroshima por mais de trinta anos, podemos dizer que aqueles que se apresentavam com melhor estado de saúde no momento da exposição foram aqueles que cursaram com menores taxas de doenças nos anos seguintes.

Umas primeiras preocupações investigadas pelas autoridades médicas referem-se ao aumento dos casos de câncer de tireoide, considerado um dos mais importantes efeito da radiação. Mesmo distantes de Fukushima podemos observar que um dos tipos de câncer que mais tem crescido nos últimos anos é o de tireoide, mostrando a correlação entre a doença e a crescente exposição ambiental.

A alimentação na era radioativa

Desde o final do século passado que a ingestão de fibras tem caído, em detrimento ao aumento do consumo de alimentos industrializados. Açúcar, gorduras, alimentos processados, carnes e demais produtos oriundos da indústria dos alimentos são pobres em fibras, que agem como agentes removedores que substâncias químicas presentes em nosso dia a dia.

Outro efeito das fibras é nosso organismo é o equilíbrio da flora intestinal, importante para a absorção de nutrientes e produção de vitaminas, como as do complexo B.

Uma combinação de frutas com verduras e legumes possuem os tipos de fibras necessárias para a manutenção de nossa saúde. Suplementos contendo fibras solúveis e insolúveis poder ser alternativas quando a oferta de alimentos não for suficiente.

Sementes e castanhas são ricas em pectinas, tipo de fibras que se ligam à toxinas removendo-as do corpo, além de possuírem proteínas e cálcio.

Valorizar os grãos como arroz integral, quinoa, aveia (optando pelas sem glúten), lentilhas e painço, este último considerado um excelente substituto à carne, por conter todos os aminoácidos essenciais.

Mas talvez o alimento do futuro venha a ser aquele que já está se tornando rotina na alimentação de todos aqueles que buscam a eliminação de toxinas do corpo, os verdes. Valoriza-los também é umas forma de aumentar nossas reservas de energia, afinal de contas a clorofila presente nestes alimentos é considerada uma molécula energizante.

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Pelo fato dos animais funcionarem como reservatórios carnes, laticínios e gorduras de origem animal deveriam ser evitados.

Dr Joji Otaki, pesquisador da Universidade de Ryukuys, vem investigando os efeitos da radiação sobre animais e alimentos contaminados em Fukushima. De acordo com Dr Joji animais que se alimentam com produtos contaminados pela radioatividade não conseguem de desenvolver de forma adequada. E com o passar dos tempos as gerações descendentes desenvolvem mais riscos de doenças.

Vivemos em um tempo onde especulações a respeito de modificações ambientais se tornam visíveis a cada ano, e a despeito da falta de consenso da classe científica, somos nós quem acabamos por pagar o alto preço pela saúde de nossa, e também futuras, gerações.

O objetivo de nosso tema de hoje é alertar para modificações que precisaremos adotar para o um futuro bem próximo, afinal de contas o acúmulo de material radioativo em nosso planeta não está isento de novas catástrofes.