Qual o rótulo da sua alimentação?

Definir, rotular ou classificar é uma forma de facilitar nosso aprendizado e, sem dúvidas, tem nos ajudado a disseminar o conhecimento ao longo dos tempos e gerações. Mas, eventualmente, o mal emprego destes rótulos, pode retardar o avanço deste conhecimento.

Estamos vivendo uma revolução onde a cada dia aprendemos que prevenir é, realmente, como já diziam culturas antigas, melhor do que tratar, e a busca por uma “ótima saúde”é o atual foco de muitos. Mas para começar esta busca precisamos entender, em primeiro lugar, o que seria realmente o estado “saúde”. Difícil definir, tanto que desde que a Organização Mundial da Saúde foi criada várias já foram as tentativas, iniciando pela simples “ausência de doenças” e chegando ao mais atual “é um estado de completo bem-estar físico, mental e social”.

Talvez estas definições pouco restritivas tenham como propósito dar liberdade a várias ações e intervenções que levem ao tão sonhado estado de “saúde”. E talvez o ideal fosse que em cada segmento, nutricional, bioquímico, físico, mental e espiritual, por exemplo, encontrássemos a fórmula ideal que no fim levaria a uma soma com um resultado positivo.

Qual o rotulo da sua alimentacao

Na área da nutrição, ao longo dos tempos, acompanhamos este mesmo processo de evolução e uso de rótulos. Há poucas décadas nos empolgamos e fomos levados pelos prazeres dos fast foods, alimentos processados que traziam sabor e, principalmente, praticidade para os lares das cidades em crescimento. Não demorou para começarmos a colher os frutos desta distorção alimentar, das gorduras hidrogenadas, carnes processadas e frituras. Surgia então a geração “natural”, ilustrada pelo pão integral, produtos lights e diets, assim como carnes processadas com baixo teor de gordura. E sem fritura, claro. O fast food virava junk food, a comida lixo.

Hoje, quando aprendemos os efeitos nocivos dos derivados do leite, do glúten e do processamento das carnes, ricas em nitritos, nitratos e glutamato monossódico, nocivos e até cancerígenos ao nosso organismo, chega a ser engraçado rever o conceito do lanche “natural”.

Pois é, talvez, para facilitar o aprendizado, estamos mais uma vez criando rótulos, agora o do “sem glúten e sem lactose”, que talvez seja necessário sim, para que deixemos para traz uma geração de reações imunológicas e doenças crônicas que com certeza irão reduzir com o passar do tempo, afinal quem já colocou em prática comprovou os resultados.

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Mas e se desta vez olhássemos para o passado e já programássemos nosso futuro? Qual será o próximo rótulo? “Alimentação fisiológica” não soa bem e, por favor, nem é, de longe, nossa intenção criar o próximo, mas talvez ele sirva para refletirmos.

Depois da publicação do livro “Barriga de Trigo” do médico americano William Davis, que esteve na lista dos mais vendidos de 2013, ano passado foi a vez do também americano Dr David Permullter, neurologista, ressaltar os efeitos nocivos do trigo sobre nosso sistema nervoso, em sua obra “A dieta da mente”.

Em 1930 o médico suiço Dr Paul Kouchakoff publicava um trabalho onde demonstrava o efeito de alimentos cozidos sobre nosso sistema imunológico, provando o desencadear de reações de nossas células de defesa, que não eram observadas diante do consumo de alimentos frescos e não cozidos.

Ou seja, devemos entender que não basta apenas ser “sem glúten ou sem lactose” para que possamos chamar de “saudável”. Precisamos ir além, perdão, voltar ao passado, e entender que alimentação saudável está na verdade próxima da natureza, em seu estado natural, e demanda um resgate tanto no conhecimento como no prazer em se alimentar desta forma.
Portanto, cuidado, o “sem glúten e sem lactose” do seu lanche ainda pode ser considerado “junk food”, já que os dois rótulos ainda podem, sim, estar unidos em um mesmo alimento.

Criando seu próprio rótulo!

Nos últimos anos pesquisadores, cientistas e médicos focaram toda a sua energia, e seu conhecimento, em tratar doenças. Esquecemos que o organismo humano é dotado de uma enorme capacidade de auto-cura, auto-regulação e auto-regeneração.

Mas para isso precisamos realmente conhecer seus princípios naturais de funcionamento, assim como as características individuais que nos tornam únicos.

Toda mudança em nossos conceitos, educação e comportamentos individuais requer tempo, interesse, conhecimento, motivação, evidencias e, mais importante, ação.

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Fomos educados a somente acreditar naquilo em que temos comprovação, e seguimos aquilo que nos é tido como o certo. Infelizmente podemos consultar inúmeros especialistas, ler centenas de referências, mas a não ser que cada um de nós teste, nunca iremos nos beneficiar de todo o conhecimento existente.

Muitas vezes precisamos parar de “aprender” e começar a “pensar”, pois somente através da ação criativa, motivada pelo raciocínio, é que podemos passar a criar o que no futuro chamaremos de novos, ou nossos, conceitos.

Infelizmente criamos limitações ao seguirmos rótulos, teorias ou conceitos, mas é somente quando expandimos nossa capacidade de criar que podemos testar as mudanças em nossas vidas.

Isaac Newnton, que na época que era estudante na Universidade de Cambridge, teve suas aulas suspensas por dois anos enquanto a Inglaterra combatia a peste. Foi neste período que a maioria de suas teorias foram consideradas mudanças nos conceitos físicos da época.

Como resumimos na página ao lado que, ao longo dos anos, acompanhamos diversas mudanças em relação a conceitos na área da saúde e nutrição, vários tidos como verdades ao longo do tempo e das comprovações.

Vivemos em uma era onde a informação está ao alcance de todos, permitindo que cada um possa questionar, comparar e experimentar. Precisamos perder o medo de pensar, pois como dito pelo autor Denny Johnso “a criatividade são os medos do homem transformados em produtividade através da paciência, da fé e da confiança”.

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